na livraria

 

A Mãe eterna. Aos 98 anos, a mãe está quase cega e quase surda, se locomove mal e se alimenta como um passarinho. Na impossibilidade de dialogar com esta mãe, que caminha para o centenário, a filha-narradora escreve para uma mãe imaginária,  falando do seu drama. Faz isso no intuito de suportar a devastação física, a falta de comunicação e, mais ainda, para elaborar a perda da genitora antes mesmo da sua morte.

Na sua reflexão, rememora o passado de uma mulher bem disposta e combativa que, por ter-se tornado viúva, assumiu a empresa do marido, cujas cartas de amor ela passou a ler e reler. As mesmas cartas que, na impossibilidade de enxergar, aos 98 anos, a filha lê para ela. Apesar da idade, no entanto, esta mãe se conserva esperta e só faz o que bem entende. “Passa a perna” em quem tenta domá-la com orientação sobre os médicos, os remédios, a alimentação, e com isso vai semeando a narrativa de humor.

Refletindo sobre a condição da mãe, a filha se pergunta até quando a vida deve ser prolongada e questiona a conduta do médico, que procura vencer a morte a qualquer preço. Um texto sobre o amor e a separação , que  coloca questões fundamentais na  atualidade: Como enfrentar a velhice extrema? Cabe ao médico vencer a morte ? Como  humanizar o fim  da vida ?

 

 

Que mãe sou eu, se pergunta Betty Milan em Carta ao Filho. Como poderia ter evitado os erros que cometi?

Deixando-se nortear pela pergunta, escreve para o filho e rememora a história dos dois a fim de descobrir a resposta. Percebe que não se reconhece em nenhum modelo de maternidade. Conclui que, para ter uma conduta adequada, a mãe precisa escutar o filho. Afirma que não existe modelo de mãe e mãe modelo também não.

Sem nunca passar dos limites que a relação impõe, escreve sobre a sua vida sentimental, recusando a proibição secular de não falar sobre isso com os filhos e apostando na possibilidade deles escutarem.

Um texto arrebatador em que há uma reflexão sobre a mãe e a mulher, inteiramente calcada no vivido da autora. Do nascimento à maturidade, passando pela formação com Lacan em Paris e a volta para um Brasil que ela descobre, o Brasil de Joãozinho Trinta e Gilberto Freyre. Livre do tabu de que a boa mãe é infalível, Betty Milan comunica essa libertação ao leitor.

 

 

Teatro Dramático

Teatro Lírico e Teatro Dramático, reúne as seis peças da autora paulista, incluindo a inédita Dora não pode morrer.

O Teatro Lírico de Betty Milan deslanchou em 1994 com Paixão , escrita para a atriz Nathalia Timberg e encenada em vários estados do Brasil afim de celebrar o amor. A esta peça, seguiram-se dois outros textos também de caráter lírico: Paixão de Lia (1994) e O amante brasileiro (2003), a pedido de atores do Teatro Oficina.

Em seu teatro dramático encontram-se três peças : Brasileira de Paris (2005) que é uma sátira da libertinagem e do machismo. Tanto recusa a ideologia do libertino, que é contrária ao amor, quanto a ideologia machista, que desautoriza o desejo feminino.

Adeus Doutor (2008) diz respeito a uma ocidental descendente de orientais que, por não se identificar com as ancestrais, não pode ser mãe. A heroína supera a impossibilidade graças a uma análise, que revela as razões inconscientes do seu drama.

Na mesma trilha de Adeus Doutor, Betty Milan apresenta Dora não pode morrer, sobre o câncer e a loucura, na qual revela a importância da história subjetiva do doente para a cura.

 

 


no palco

 

A peça Dora não pode morrer estreou com sucesso no Teatro do Itaú Cultural. Desde então o Vozes prepara um ciclo de leituras dramáticas para apresentar as seguintes peças : Hamlet, A Vida é um Teatro, Esperando Godot, Adeus Doutor, Freud e Einstein e Dora não pode morrer.