Adeus Doutor

Adeus Doutor

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trecho

As pessoas vivem sem se escutar, orelha de eucatex… Há quem morra por não ter se escutado, ter sido surdo para si mesmo… para o próprio corpo, que não fala, grita. Uma surdez que basta para justificar a Psicanálise. Se é que ela ainda precisa ser justificada.


resumo

Originária de uma família de imigrantes libaneses no Brasil, Seriema vive o drama de uma ocidental descendente de orientais. Suas ancestrais precisavam dar à luz a um primeiro filho homem para satisfazer à expectativa da família. A gravidez se torna um problema na vida de Seriema, que, depois de dois abortos, se separa a contragosto do marido. Porque a maternidade, no caso dela, é impossível? Porque ela não pode se identificar com as mulheres da família ou  algum outro motivo?

O fato é que Seriema resolve sair do Brasil a fim de esquecer o drama da separação. Consegue uma bolsa e vai para a França, onde se submete a uma análise. Através desta, descobre o verdadeiro motivo pelo qual não pode dar à luz, ou seja, o desejo inconsciente de satisfazer o desejo do pai, que nunca a autorizou a ter um homem na sua vida. Graças à escuta do analista, Seriema deixa de ser vítima do seu inconsciente, conquista a possibilidade de escolher um pai para o filho e se tornar mãe.

A peça se estrutura em torno das sessões. O modo como a sessão termina é sempre função do que é dito e o texto o indica claramente. Trata-se do modo do analista, que se vale também da interrupção da sessão para interpretar a fala da analisanda, dar ênfase ao que é essencial na mesma. Cada sessão é uma cena,e, tendo em vista a nacionalidade da analisanda, a passagem de uma para outra cena pode ser pontuada por uma batida de tambor.


histórico

Adeus Doutor foi escrita em português e traduzida para o francês pela autora em colaboração com Jean Sarzana. Para  elaborar a peça, a autora contou com a orientação do diretor francês Antoine Bourseiller. Em dezembro de 2008, houve uma primeira leitura do texto em São Paulo, com Bete Coelho e Ricardo Bittencourt (webclipe). A direção foi de Jean-Luc Paliès, diretor francês que, em 2009  fez uma leitua dramática da peça em Paris, no Théâtre du Rondpoint. Em 2010 houve nova leitura no Teatro do Sesc Santana com Bete Coelho e Zé Celso. (webclipe).